sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

quem é essa dor que vai me-engolir

será uma dor que vai transmutar

lingua de maré de amor, possuir

veneno, flecha e ardor, pra matar


veneno, terra pra quem quer enterrar

veneno, engarrafado veneno de paz


serena, morte suave no vento que vái

serena, forte essa ave que vento levou




e vai encontra a dor, num sinal

da sombra que se apresentou, afinal

e vai se entregar ao sol da manhã

afã de veneno que lhe curou



sereno, entre canteiros sereno pingou

pequeno, forte pra dar ao mar seu amor










forte meu peito que dói, fumaça no tempo paixão

corte e talho metal, água forte no cobre , ilusão


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

um atelier.
um lugar para trabalhar.
cheio de tinta e manutenção, e sobra...como uma paleta.
um lugar organizado, porém, cheio de dinâmica e uso, justamente.
um lugar organização venha da palavra organismo.

organismos se formando.
pinturas, esculturas, café, tinta, panos, água quente, meia-luz.
chá fumegante, cheiro de tinta, paleta, uma mesa, panos pendurados.
plantas, frescor, do lado de fora; verde e verde e verde;
as paredes coloridas, pintadas com cal, de cores vivas, mas esbranquiçadas de cal,
e as plantas crescendo e morrendo por toda parte.

prateleiras, vivas, sendo usadas....
madeiras cortadas, facões, serras, intrumentos feitos,
samba e madeira, como paulinoh da viola bem sabia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

mudra.pólen

abro os olhos e vejo que ainda sonho.
mil pontos de mil cores
e os cobertores e lençóis diminutos das flores,
onde pousam os sereszinhos voadores que cortam o espaço
e deslizam encantados como que num feitiço de morte luminosa
pelas sombras;
as sombras são flores,
pequenos nectários frescos onde brota águamel.

e aqueles pequenos seres com suas cabeças e dorsos ásperos, cheias de pequenos anteparos
eles se esfregam quase num acidente, no pó de ouro
(.pequenos planetas que arrastam estrelas)
e depois de alimentados levam o pó,
(informação pura
conhecimento in natura,
poesia sem nome)
e eles se encantam por mil outras flores e entregam de boa vontade o pó de uma
à outra,
(de uma àoutra, de umàoutra,
de umoutra, dumòutra,
dumutra, mutra,
mudra)

o peregrino luminoso encantado que corta o espaço
afagua e é afagado
pelas mãos abertas das flores,
e da peregrinação amorosa, ele ligas estas flores,
e faz com que brotem sementes dos caules, das anteras, das folhas, dos frutos,
e recomeça a gênese.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

nota t.n. 1

w. steenbock:

"

1
o equilíbrio nos sistemas vivos nunca é atingido.

2
(...) a mesma energia que dissipa o sistema
(aquela que passa pela rede de relações não lineares
através do fluxo) é a energia que gera ordem.

...


"

t. 3

/gosto de um lápis bem afiado
ponta.......língua......cúme....
a folha cortante
abraçada nascida deum galho
dançando um desenho
/gosto de um lápis bem apontado
ferramenta.....preciso....incerto....
todo meu gesto
e todos os fluxos , corpos
estão nus na ponta de um lápis
/gosto de um lápis bem preparado
ele já é e sempre foi
a história dos seres
posta em evidância

linguagem........simplicidade
ternura.............elegância
liberdade..........sinceridade

t. 2

no berçário crescem observadas as espécies que estão chegando de tempos em tempos.
lá elas podem crescer cuidadas por uma mão cuidadosa.
mas os berçários não são higiênicos azuis claros como hospitais.
é uma terra observada e cuidada na temperatura e luz e umidade.
e por vezes, como ao campo aberto, pode-se tocar um violão suave aos brotos diminutos.
hm!....o berçário...., ele é um lugar que é quente no peito de qualquer ser humano.
nos fundos da casa, onde o sol é mais brando à sombra do limoeiro e do bambuzal.


t. 1

uma placa é um canteiro
meu peito é um canteiro
estre cedro polido gravado cortado é um canteiro
uma terra afofada, erguida, adubada
seus chanfros, as lixas, os ácidos,
as pontas, as facas, a borracha e a aguarrás
dela vão nascer naturalmente as pioneiras
e com o tempo, entre a o controle e o nãocontrole
tudo vai crescer e povoar o espaço.