virei (mais uma vez) a noite
de ponta à cabeça e vice-versa
e quando olhei ao relógio
olhando também à janela
fiquei em dúvida cruel
estaria tarde demais
ou muito cedo?
domingo, 24 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Cartas de Argila
olá V.
desculpa demorar tanto em te mandar isso, mas eu odeio não terminar as coisas que comecei, e tbm guardar meus sonhos só pra mim.
pra reforçar: eu levo a sério meus sonhos, e apesar da internet ser uma coisa meio informal, eu acho que ela pode ser um meio legal de correspondência.
Foi o seguinte: numa festa por acaso eu te encontro, e desde o princípio da festa quero te encontrar. te encontro. Você me desdenha - lembre-se que é um sonho - e dificulta as coisas. durante toda a festa eu te procuro, você só me foge. fica assim o sonho todo. só no final, depois de bastante esforço eu consigo um beijo e confiança. a festa é mais alegre e todos gritam, entre risos e confetes, enquanto falo com você rosto-a-rosto.
foi basicamente isto. claro que mais intenso e mais bonito, mas em termos gerais foi isso.
***
bom, eu não te conheço nem um pouco, e tbm não quero q vc me ache um louco. mas apesar disso, eu acho que todo nós somos loucos, e eu acho que a vida pode ficar mais interessante.
vc decide o que fazer com esse sonho. é seu. Só peço que seja um segredo absoluto, que vc não me faça de idiota com isso: é sincero, e eu não espero nada.
as cartas são lindas porque dizem coisas que não podem ser ditas ao vivo, por isso eu te mandei isso. tudo é diferente em carne e osso.
espero alguma resposta.
um beijo, Deni
(imagem ao topo: foto da série "Sobreposições Fotográficas", 2001, de Luise Weiss; retirada de seu blog Relatos Poéticos)
terça-feira, 19 de abril de 2011
No meio de uma estrada
me vejo vagueando
e me encontro entre dois lugares
me encontro em lugar nenhum.
uma voz me sussurra
"há cidade à frente?"
não há.
por que razão saí de minha cidade por uma mulher?
pressinto que morrerei no caminho
à alguém que desconheço.
o sacrifício já não toca os amantes,
e no meio de uma estrada constatei minha loucura.
como faço para tatear-te?
como posso te envolver no meu peito?
como vou erguer nossa morada?
se perco tempo...é possível?
se perco meus membros...é possível?
se durmo durante a noite...
a cidade à frente não me acolherá.
e me encontro entre dois lugares
me encontro em lugar nenhum.
uma voz me sussurra
"há cidade à frente?"
não há.
por que razão saí de minha cidade por uma mulher?
pressinto que morrerei no caminho
à alguém que desconheço.
o sacrifício já não toca os amantes,
e no meio de uma estrada constatei minha loucura.
como faço para tatear-te?
como posso te envolver no meu peito?
como vou erguer nossa morada?
se perco tempo...é possível?
se perco meus membros...é possível?
se durmo durante a noite...
a cidade à frente não me acolherá.
Deleuze e o amor
"O verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem a que ponto estão. Não são pessoa que desmoronam, pelo contrário, nunca desmoronam. Mas se não captar a pequena marca de loucura de alguém, não pode gostar desse alguém, não pode gostar dele.É exatamente este lado que interessa. E todos nós somos um pouco dementes. Se não captar o ponto de demência da pessoa, eu temo que...aliás, eu fico feliz em constatar que o ponto de demência de alguém seja a fonte de seu charme."
Deleuze
sábado, 9 de abril de 2011
redemoinho
gosto de nós
em cordas de barcos
que rangem os ventos
cordas douradas balançam entre dedos
seus olhos tão bravos
suas portas tão lindas
balançam e batem! entre sonhos
gosto de nós, silêncio
nós entre minhas mãos de calos
e tão longe do seu toque.
Vagueia, navega, em mim
te preciso como é navegar
te domino como é viver
transmuta-se sempre
ora lá sobre cristais
ora aqui sobre fazendas
está sempre me perseguindo
içando, me sugando
redemoinho
me puxa o peito
goza sozinha, engolindo barcos
em cordas de barcos
que rangem os ventos
cordas douradas balançam entre dedos
seus olhos tão bravos
suas portas tão lindas
balançam e batem! entre sonhos
pequeno, meu casco
asco, meu rosto
tosco, meu dente
crente, meu olho
gosto de nós, silêncio
nós entre minhas mãos de calos
e tão longe do seu toque.
Vagueia, navega, em mim
te preciso como é navegar
te domino como é viver
transmuta-se sempre
ora lá sobre cristais
ora aqui sobre fazendas
está sempre me perseguindo
içando, me sugando
redemoinho
me puxa o peito
goza sozinha, engolindo barcos
quarta-feira, 30 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Sobre a Pornografia
Negação da solidão
boçalidade em face do anti-erotismo
nadar de roupas
procurar a nudez em-potência da imagem
anti-espelhos
os espelhos e as cópulas, disse Borges
são abomináveis pois
multiplicam os homens-
vamos multiplicar as mulheres!
boçalidade em face do anti-erotismo
nadar de roupas
procurar a nudez em-potência da imagem
anti-espelhos
os espelhos e as cópulas, disse Borges
são abomináveis pois
multiplicam os homens-
vamos multiplicar as mulheres!
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