sábado, 28 de fevereiro de 2015

t. 2

no berçário crescem observadas as espécies que estão chegando de tempos em tempos.
lá elas podem crescer cuidadas por uma mão cuidadosa.
mas os berçários não são higiênicos azuis claros como hospitais.
é uma terra observada e cuidada na temperatura e luz e umidade.
e por vezes, como ao campo aberto, pode-se tocar um violão suave aos brotos diminutos.
hm!....o berçário...., ele é um lugar que é quente no peito de qualquer ser humano.
nos fundos da casa, onde o sol é mais brando à sombra do limoeiro e do bambuzal.


t. 1

uma placa é um canteiro
meu peito é um canteiro
estre cedro polido gravado cortado é um canteiro
uma terra afofada, erguida, adubada
seus chanfros, as lixas, os ácidos,
as pontas, as facas, a borracha e a aguarrás
dela vão nascer naturalmente as pioneiras
e com o tempo, entre a o controle e o nãocontrole
tudo vai crescer e povoar o espaço.

sábado, 20 de dezembro de 2014

semear

deixo mil sementes com ela 
de muitas qualidades de plantas
e elas entre elas na terra dela 
vão saber nascer entre o céu, a água, e a terra
para que um calor lhes afague a existência.




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

‘No fundo da matéria cresce uma vegetação escura; na noite da matéria
florescem flores negras. Elas já tem seu veludo e a fórmula de seu perfume.’
(BACHELARD:1998, pág 2)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

i pasti comune

8h30 fare la prima colazione
un caffè, uno caffellatte, o capuccino e un cornetto, due cornetti 


11h fare la merenda  l  fare uno spuntino ) i frutti


13h  pranzo  / pranzare / andare a pranzo / andare a colazione
cena / cenare / andare a cena
 un primo oppure, un secondo





gli antipasti
primo )piatto) .una massa/una minestra/un brodo/un risotto
secondo )piatto) .una carne)mucca.vaca)maiale.porco)agnello.cordeiro)pollo.frango)tachino.peru)pesce)frutti de mare)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

um ser constrói sua morada
com suas madeiras e
pedras  e água
ele encrustra sua toca embaixo de uma raiz de árvore
ele deixa seu corpo ser povoado pelas raízes
e dorme enquanto a terra negra lhe acobre ternura

um outro ser também constrói a toca
no suvaco de um galho muito grosso bem no alto
e com seu bico ele faz com barro e galho
e se refugia com suas penas de veludo ali

eles se encontram no caminho
e são muito juntos nos olhos deles
e são muito felizes de terem se olhado
e se eles morrerem comidos por um gavião tudo bem

eles voltam pras tocas e cozinham arroz e feijão
na brasa do fogão de terra
e tudo parece bastante normal




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

rocha negra.memória

aquelas pedras eram lindas.
ainda o são, ou devem o ser. pois imagino que lá estejam, mesmo sem eu para olhar. desde milhares de anos e desde antes dos anos e do tempo existirem palavras. aquelas pedras que abraçam o encontro do são miguel e o do tocantinzinho.
por vezes pareciam lagos escorridos de cobre fundido. esculturas metálicas quentes, lisas, macias, indestrutíveis. brotando do feixe de água misteriosamente no meio do cerrado seco.
foi ali mesmo que toquei a plenitude,
como se toca a água num sonho.
meus óculos haviam quebrado. meus dois pés estavam com bolhas e dores raízes,
b. estava lá. saímos ao léu na estrada e chegamos de carona ao encontro das águas.
ainda posso sentir meus óculos queimando prazerosamente no sol da pedra, observando ela caminhando rápida à minha frente. havia b. e havia eu, embaixo do sol, indo nadar na correnteza da água azul verde entre os cânions vivos do encontro.
                                                                                                    (dias depois fui com o peito aberto                                                                       fazer um batuque com esses guardiões, eles fantasiados de eco 
                                                                              dos meus tapas ritmados nesta mesma pedra negra) 

ainda sinto seu corpo quente e fresco, exalando nossa cachoeira. 
olhávamos a queda dágua, destruídora, mortal. era uma espiral. minha mão sentiu seu desejo. minha boca descansou no pescoço dourado. eu via a morte. Então um pato desajeitado se deixou levar à morte certa. emergiu pouco depois co um peixe na boca.