quarta-feira, 3 de setembro de 2014


instruções

tire o som do primeiro video
dê play nos dois outros
e mude os volumes a gosto
e veja o primeiro na tela inteira
 





segunda-feira, 1 de setembro de 2014

adentre a dúvida



poema seja lido a duas vozes
três versos um, 
três versos outro.


caminho na inércia da dúvida
pois há caminhos lapidados na solidão
e caminhos lapidados a várias mãos

as sombras azuis entre a luz amarela
no bosque do meu bairro quieto
o lento sutil vapor da xícara do meu chá

há realmente perigo nessa trilha?
ou amanhã virei junto a outros
desfrutando os riscos sem medo?

desenho os bosques as xícaras
cozinho meu lámen com missô e hondashi
durmo em minha cama repleta de meu próprio cheiro

espera    silencioso suporto
mas meus olhos não param nem mesmo
nas sombras azuis no vapor sutil

sonho com água com cristais
leio as poesias como chocolates
encho plenamente de café o bule aluz da manhã

desejo saber
pois não me olvido o desenho
da boca.esqueço as palavras

rego minhas plantas crescendo
planto pequenas mudas.
germino minhas sementes de mucúna feijão milho 

sonho com o aconchego com a tranquilidade
com o tesão com a construção
antecipo meses anos

trabalho perto do chão
desenhando pequenas árvores
nos papéis dos meus cadernos

fui ferroado mas o veneno não se espalha
fica apenas no provir de meu corpo
fica apenas onde no meu corpo há dúvida






desenho.sasai kouta












quarta-feira, 21 de maio de 2014

outra vez a lua
esverdeando a palha seca
da beira do rio

outra vez meu caminho
minha parada sobre a ponte
ouvindo os conselhos desse rio

e se nessa ponte
lhe cruzasse
atravessando a geografia?

atravessar a atmosfera
num desenho
de uma linha solta


...em poucos segundo pisarmos
na rocha porosa
do sonhos

depois deslizarmos de volta
num buraco de minhoca .com um buraco no peito.
quando chega a próxima lua cheia?


sábado, 26 de abril de 2014

Uma pena para U.

dar-lhes o gosto da ausência
nosso afeto aumenta













nesse dia imaginei
e desimaginei
desenganado
,e instantaneamente
brotavam gotas do céu
deslizando a atmosfera invernal da preparação de maio
caindo
sobre o rio
já suficientemente molhado

desengano
pois nada sei desse rio
desértico
...abraçado na presença dessa rocha negra

será que devo abandonar
o ímpeto taurino
de obstinadamente procurar?
devo parar de procurar.

então me parece, U., que
concreto, íntegro,
virá a meu encontro
o vento fértil.
...pois já lancei meu grito ao vento
impronunciáveis vezes
e só recebo poeira fina
que me pareceu ouro
na tarde antiga do abril tardio
entrando nos meus olhos.



e minhas frutas repousam e
se decompõem nos canteiros sem serem colhidas pelo ouro do vento
pelas mãos delicadas que aparecem nas pinturas
penduradas no futuro
,nas paredes do futuro, J.

essa rocha ainda não se cansa de lembrar
a rocha negra que ilumina a horta notura

segunda-feira, 14 de abril de 2014

nosso amigo foi-se aos poucos
para tornar-se poeira das estrelas
…traçou um plano por anos
silenciosamente-secreto
para transparente e leve
ir-se junto à torrente.
nos preparou, em segredo,
ao seu sumiço;
acostumou-nos à sua ausência
eou à sua presença rarefeita;
tornou-se suave
aos poucos
e lentamente sorriu solene
enquanto nos observava
ficar.
mofar.
dormir.
falou-nos baixo no pé dos ouvidos (a vida pôde nos cruzar nessa trança curiosa da vida
e fomos o que somos, até hoje)
nós, gratos, nos amamos sem apego
conservamos sem a carne
amor carnal e intenso.
e nem percebi,
quando já há ano,
não nos falávamos,
não sabíamos do paradeiro
do nosso raro amigo.
só hoje ao deitar-me
pude ver a linda renda
trançada com sua mão de ouro
nas curvas do tempo.
só hoje vi o tamanho do seu amor,
presente em tudo.
ausente em tudo.
só hoje notei
a sua presença em todo instante, latente,
somente hoje
notei
que ele nunca existiu.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

tive esse pântano pra me erguer
àquele pasto seco joguei minhas sementes
nesse vácuo achei qualquer pedaço de ar
foi por isso que tive sorte
de encontra-los
meus inimigos, carrascos
agora os amo
pois não me facilitam a vida
um bom mestre
um bom ladrão

segunda-feira, 16 de setembro de 2013



vi
o mar
por toda vida
no barco
em que
nasci
e vi